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Características

Morfológicas | Reprodutivas | Produtivas | Medidas biométricas

A propósito das características da Raça Mirandesa:

“...o ganadero de Miranda considera que cria pura, bem raçada, deve ter os seguintes sinaes que vão descritos com os dizeres pitorescos e os expressivos por ellos empregados":

Três coisas pequenas: cabeça, testa e agulha;
Três coisas grandes: meleneira, pelindregues e estriga do rabo;
Três coisas curtas: focinho, pescoço e perna;
Três coisas largas: tromba nuca e nalgas;
Três coisas direitas: Espinhaço, cana do nariz e perna.

E também:

Olhos de sapo;
Cornos delgados;
Focinho à perdigueira;
Cor castanha escura;
Pés de banco;
Garupa redonda;
Cú de padeira;
Martelada entre a olhadura.

Medidas biométricas *

 

Vacas adultas (cm)

Touros (cm)

Altura ao Garrote

130.20

140.00

Altura a meio do dorso

125.50

136.00

Altura no inicio da Garupa

132.30

139.10

Altura do Peito

70.58

85.43

Comprimento Escápulo-Isquial

175.10

188.70

Comprimento da Garupa

50.77

63.71

Comprimento do Tronco

141.23

178.70

Largura do Peito

37.27

57.71

Largura Bi-ilíaca

51.21

59.79

Largura Bi-isquiática

21.03

20.79

Perímetro Torácico

206.76

236.00

Perímetro da Canela

20.74

26.93

* Mensuradas 250 vacas com mais de 5 anos e 29 touros com mais de quatro anos.

Seis razões para optar pela raça mirandesa

Rusticidade: muito bem adaptada a condições ambientais e de exploração difíceis e pobres, mantendo a suas capacidade reprodutiva, desde que a sua condição corporal não desça abaixo de 2 (numa escala de 5). Não necessita de cuidados clínicos especiais. É sempre importante recordar que esta raça se notabilizou em Portugal e no estrangeiro pela sua força, temperamento e resistência.

Aptidão / Instinto maternal excepcionais: Em todo o tipo de sistemas de produção o seu instinto maternal é notável desconhecendo-se situações de morte de vitelos por predadores.

Intervalo entre partos reduzido: Com as vacas em condição corporal entre 2.25 e 3 e o touro permanentemente junto delas, o intervalo entre partos médio da vacada é igual ou inferior a 365 dias.

Facilidade de parto: 100% dos partos são fáceis e sem ajuda em vacas com mais de um parto. Ao primeiro parto mais de 90% são fáceis e sem ajuda desde que o progenitor seja de raça mirandesa. As situações de parto difícil estão associadas a insuficiente desenvolvimento da novilha.

Longevidade produtiva: 42% das vacas de raça mirandesa actualmente em registo possuem mais de 10 anos de idade. A longevidade média produtiva é de 15 anos.

Qualidade de Produtos: Os produtos da raça mirandesa são de excepcional qualidade.

Veja também: Lutas de Touros

 

Morfológicas

De acordo com vários autores as principais características morfológicas são as seguintes:

Cabeça: nuca larga, levantada e proeminente. Poupa notavelmente espessa e comprida, recobrindo a base dos paus e sempre de cor ruiva. Chifres brancos com extremos afuscados, delgados de pequena envergadura, acabanados e de pontas reviradas para cima e para fora, ficando estas em nível pouco superior ao topete. Orelhas revestidas no interior com compridos e abundantes pelos ruivos. Fonte sub-côncava; olhos aflorados. Cabeça de olhos abaixo, breve, larga e seca; cana do nariz direita e focinho muito curto, negro e superiormente marginado por uma larga orla de pêlos sempre brancos.

Pescoço: curto, grosso com barbela que, pelo menos nos touros, se insere logo sob o beiço inferior e vem até aos joelhos, entre os quais pende.

Tronco: costado redondo. Cernelha baixa. Espinhaço direito, com risca ruiva ou esbranquiçada. Garupa abaulada. Cauda levantada, curta e bem fornecida.

Sistema mamário: bem inserido e desenvolvido, com tetos bem implantados de dimensão média. A produção de leite excede frequentemente a capacidade de ingestão dos vitelos durante o primeiro mês de vida mas estes esgotam-na nos meses seguintes até ao desmame.

Extremidades e aprumos: membros curtos e delgados abaixo do joelho e curvilhão; os posteriores direitos e os anteriores com joelhos desviados para dentro. Coxa convexa.

Cor: castanha retinta no touro, castanha mais ou menos escura, com tendência centrífuga dos aglomerados pigmentados, nos bois e vacas.

Formato: são animais harmoniosos, com temperamento vivo mas dócil, de tamanho grande e formato compacto, do tipo respiratório (predomínio do perímetro torácico em detrimento do perímetro abdominal).

Reprodutivas

As vacas de raça mirandesa possuem um notável instinto maternal, cuidando e garantindo a segurança dos seus vitelos de predadores como o lobo.

Entre as 4956 vacas que o Livro Genealógico controla actualmente, 38% das vacas com mais de 6 partos registados apresentam um intervalo médio entre partos inferior a 365 dias. 71% das vacas com um mínimo de três partos registados apresentam intervalos médios entre partos inferiores a 384 dias.

Independentemente do sistema de produção praticado, tradicional ou extensivo, os partos nas vacas de raça mirandesa distribuem-se normalmente ao longo do ano;

As vacas de raça mirandesa apresentam, de forma geral, boa capacidade para acumular e mobilizar reservas corporais. Normalmente, as vacas que criam melhor os vitelos, são as que apresentam maior capacidade de mobilização de reservas corporais. Nestes casos, as flutuações de peso ao longo do ano, sem prejuízo da capacidade reprodutiva ou produtiva chega a ser de 6% do peso vivo médio.

A mortalidade em vitelos ocorre normalmente até aos 3 dias de vida e representa 2,4%. A idades superiores a mortalidade está frequentemente associada à ingestão de corpos estranhos.

A longevidade produtiva é elevada, em média 15 anos. O número de vacas com idade superior a 10 anos é de 42%. Tradicionalmente os criadores efectuam a selecção das reprodutoras entre o 1º e 2º partos.

A idade ao primeiro parto varia em função do sistema de recria a que as novilhas estiveram sujeitas. Assim, em sistemas tradicionais, onde o maneio alimentar das novilhas é mais cuidado, com crescimentos durante a recria superiores, é normal o primeiro parto ocorrer por volta dos 24 meses de idade. Em sistemas extensivos, o atraso no primeiro parto é normalmente de 6 a 8 meses vindo por isso a ocorrer entre os 30 a 32 meses de idade.

A taxa de fecundidade estimada para as vacas de raça Mirandesa é de ± 92%. O calculo da fecundidade aparente é difícil porque a média de vacas por exploração é de 4 e existe uma grande mobilidade dos animais entre as explorações. A taxa de fecundidade é mais baixa em novilhas e vacas com um parto, aumentando de forma significativa entre o terceiro e décimo partos, para voltar a diminuir depois do décimo parto.

O comportamento das vacas de raça mirandesa em cruzamento industrial é excelente, nomeadamente com raças mais precoces.

Não necessita de cuidados clínicos especiais, sendo bastante rústica e bem adaptada a condições de exploração difíceis, mantendo a fecundidade e a capacidade de desmamar com peso regular os seus filhos.

Produtivas

Os valores indicados representam médias calculadas a partir de informação recolhida em explorações que praticam os sistemas de produção tradicional e extensivo.

Peso ao nascimento
Machos - 34,434 ± 3,360 Kg
Fêmeas - 31,025 ± 3,703 Kg

Peso aos 210 dias
Machos - 224 Kg
Fêmeas - 191 Kg

Peso aos 365 dias
Machos - 380 Kg
Fêmeas - 298 Kg

Peso adulto
Machos - 1024 Kg
Fêmeas - 630 Kg

As carcaças de vitelos abatidos aos 210 dias de vida apresentam um peso médio de 132 Kg e possuem uma conformação de ±15% com R, ± 60% com O e as restantes como P na grelha de classificação EUROP; para a gordura a classificação dominante é 2.

A estiva das carcaças é a seguinte:

- 54,5%, sendo a estiva corrigida de 59%, para carcaças leves, de ambos os sexo, com origem em sistemas de produção extensivos;
- 56%, sendo a estiva corrigida de 61%, para carcaças pesadas, de ambos os sexo, com origem em sistemas de produção tradicional;
- 54% e a estiva corrigida é de 64%, após engorda, com o abate aos 10 meses de idade, só machos.

 
     

Actualização em 29 June, 2009