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Lutas de touros
A luta de touros, também conhecida como “chega de bois”, é uma parte importante da actividade do criador de gado Mirandês. Tradicionais do Norte de Portugal, as lutas de touros continuam bem vivas na região de Trás-os-Montes. Todos os anos, são uma componente indispensável nas mais importantes festas de Verão, fazendo juntar centenas de criadores e visitantes em seu redor. Os imponentes animais Mirandeses chegam a pesar 1200Kg, e observá-los a medir forças é um espectáculo que fascina e infunde respeito. O princípio das lutas de touros é simples: trata-se de aproximar, ou “chegar” dois machos, que entre si determinarão qual é o mais forte. Contudo, uma luta de touros pouco tem de violento ou sanguinário. Trata-se antes de um processo natural em que os animais se observam, exibem a sua corpulência e, eventualmente tratarão de medir forças, apenas o necessário para que um deles “humilhe”, isto é, dê sinais de recuo ou de fuga. Em alguns casos, o animal dominante fará uma breve perseguição ao mais fraco, o suficiente para confirmar o seu poder, sem consentir dúvidas ao adversário. Entre o público, já muito antes se fizeram as apostas sobre os animais que irão ganhar ou perder. Este é um pano de fundo, discreto mas vigoroso, no qual os proprietários levam a sério os palpites e intuições sobre os animais que tão bem conhecem. Actualmente, a maioria dos animais são de propriedade particular, mas em tempos passados, os touros eram um bem comum, que fazia parte da riqueza das aldeias, e que era cuidado colectivamente. Este costume fazia parte das tradições comunitárias que eram um traço marcante da região transmontana. Ainda hoje é possível encontrar os “bois do povo” em algumas, embora poucas, aldeias de Trás-os-Montes. Antigamente, entre outras práticas comunitárias, o boi do povo fazia parte da identidade cultural das populações, sendo em grande medida um símbolo do prestígio da aldeia a que pertencia. Uma das funções utilitárias do boi do povo era a reprodutiva a qual, salvo poucas excepções, actualmente é substituída pela inseminação artificial. Contudo, conserva o lugar no imaginário das populações e dos emigrantes que vêm passar férias à sua terra natal. Lutas de touros e simbolismo mágico
A crença de que Dionísio, divindade da vegetação e das colheitas, podia assumir uma forma física, existiu em variadas civilizações. Se em algumas culturas Dionísio toma a forma de certas árvores, como o carvalho, noutras surge sob a forma de animais, como é o caso do touro. É através do touro – mas também da vaca, e do bezerro, conforme as crenças – que a encarnação da divindade faz descer à terra as suas bênçãos, propiciando a fertilidade e abundância futuras.
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17 May, 2010 |
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