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Sistemas de Produção Dominantes

No solar dos bovinos de raça Mirandesa existem dois sistemas de exploração bem distintos. O sistema de exploração "tradicional" praticado pelas explorações que possuem encabeçamentos inferiores às 10 vacas por exploração, e o sistema de exploração extensivo praticado pela maior parte das explorações que possuem mais de 10 vacas. O sistema tradicional é praticado por cerca de 78% das explorações, ainda que existam algumas diferenças qualitativas ao nível das práticas de maneio que se prendem com a utilização ou não de tracção animal, e as condições agro ecológicas da exploração consoante se situem em região de montanha ou no Planalto Mirandês.

As explorações que praticam um sistema de exploração tradicional desenvolvem um sistema de exploração policultural, fortemente dirigido para a satisfação das necessidades do autoconsumo e venda de alguns produtos excedentes. As explorações possuem em média 14 ha tendo como principais produções, além das destinadas ao autoconsumo, a produção de cereais, frutos secos e a pecuária. Os bovinos de raça mirandesa desempenham um papel central nestas explorações, porque constituem para muitas delas a única fonte de tracção, necessária à preparação das terras e ao transporte de produtos, produzem estrume que se utiliza nas hortas, e muitas vezes constitui a principal fonte de entrada de receitas na exploração.

O sistema de produção dominante dos bovinos de raça Mirandesa, tem por objectivo, a produção de vitelos que são vendidos ao desmame com uma idade aproximada de 7 meses, idade a que tradicionalmente são abatidos para consumo. Os partos das vacas distribuem-se com regularidade ao longo do ano.

As vacas pastoreiam durante todo o ano em pastagens naturais, pernoitando todos os dias em alojamentos tradicionais por baixo da casa de habitação do agricultor. Os vitelos são mantidos no alojamento até à idade de desmame, sendo soltos para mamar de manhã e à tarde. As vacas vão para a pastagem durante quase todo o ano. Nos meses de Janeiro e Fevereiro saem para beber e nos dias sem chuva ou neve pastoreiam uma ou duas horas num dos lameiros próximos da aldeia. No verão, pastoreiam das 6 às 10.30 horas e das 17 às 20.30 horas.

A alimentação das vacas assenta na exploração de pastagens naturais, os lameiros, e num conjunto de culturas forrageiras. Estas últimas, cobrem as necessidades alimentares das vacas em épocas de produção insuficiente da pastagem ou quando esta é vedada para a produção de feno. Em pormenor, a suplementação alimentar das vacas faz-se no verão à base da milharada, das ferrãs de Aveia e centeio na Primavera e Outono e do nabal no Inverno. Durante todo o ano as vacas e restantes bovinos são também suplementados com feno de aveia ou feno produzido nas pastagens naturais.

No que diz respeito aos vitelos, estes permanecem sempre nas lojas até ao desmame. Após o primeiro mês de vida, os agricultores começam a administrar-lhes feno de lameiro e a partir dos três meses fornecem farinhas à base de cereais produzidos na exploração, em maior ou menor quantidade consoante a mãe seja boa ou má leiteira, podendo consumir cada vitelo, durante a fase de cria, até 100kg de farinha.

No solar da raça só se recriam as fêmeas que as explorações necessitam para a substituição e o processo de selecção destas fêmeas ocorre entre o 1º e 2º parto. Os machos só são recriados pelos agricultores que possuem touro de cobrição e sempre que necessitem de efectuar a substituição do touro que possuem.

Nas explorações que praticam o sistema de produção extensivo as vacas permanecem o ano inteiro em pastoreio, com o touro, sendo suplementadas com feno ou outro tipo de forragens disponíveis, sempre que a condição corporal das vacas desça abaixo de 2 (escala de 5 pontos). Os vitelos permanecem com as mães até ao desmame, em regra aos 7 meses, sendo suplementados com farinhas de cereais. Após o desmame, os vitelos são engordados por dois a três meses e posteriormente vendidos para o mercado. Os partos ocorrem durante o ano inteiro.

 
 

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Actualização em 29 June, 2009